quinta-feira, 8 de março de 2007

Categorias da Narrativa

1-Acção (intriga)

1.1 Central- Constituída pelos acontecimentos principais

1.2 Secundária- Constituída pelos acontecimentos secundários que contribuem para a valorização da acção central; permite identificar situações ou valores e compreender contextos, sociais, culturais, ideológicos, geográficos ou outros.

Estrutura do texto narrativo
O tempo marca a sucessão cronológica, indica a duração ou, com o espaço, contextualiza histórica, cultural e socialmente os acontecimentos; a ordenação dos acontecimentos pode transgredir a ordem cronológica e resultar de outros factores como relações de valores – amor, ódio, corrupção, violência.

Sequência narrativa das acções
As acções diversas de determinada obra relacionam-se entre si por:

Encadeamento- Ordenação temporal das acções.
Encaixe- Introdução de uma acção noutra.
Alternância- Entrelaçamento das acções que se vão desenrolando, ora uma, ora outra, separada e alternadamente, podendo fundir-se num determinado ponto da narrativa.

Momentos determinantes da acção
> Introdução (situação inicial, apresentação)
> Desenvolvimento (peripécias e ponto culminante)
> Conclusão (desenlace).

Delimitação da acção

Narrativa aberta- a acção não apresenta a solução definitiva para o destino das personagens; deixa a possibilidade de acrescentar novas peripécias à série de acontecimentos que foram narrados;
Narrativa fechada- a acção e a sorte das personagens são resolvidas até ao pormenor.

2. Espaço

2.1 Geográfico ou físico
Lugar ou lugares onde decorre a acção. Diz-se geográfico se remete para grandes espaços definidos de acordo com coordenadas geográficas, como de latitude ou longitude; é, normalmente, identificado com pequenas referências físicas, podendo dizer-se interior ou exterior, fechado ou aberto, público ou privado.

2.2 Social e cultural

O que caracteriza a situação social e económica ou o meio em que vivem as personagens. Define as classes e grupos sociais com os seus interesses, as suas ideologias e crenças, os seus valores, a sua posição na sociedade. O espaço cultural integra-se, normalmente, no espaço social, embora remeta mais para valores culturais, tradições e costumes, formação cultural.

2.3 Psicológico

Vivência que cada personagem tem do espaço físico ou de um espaço de emoções ou sensações.

3. Tempo

3.1 Da história ou cronológico
O que se define por datas ou pelo decurso e duração dos acontecimentos.

3.2 Do discurso ou da narrativa
O que obedece à sequência do próprio enunciado, podendo alongar, resumir, alterar ou omitir os dados do tempo cronológico. As alterações da ordem dos acontecimentos ou supressão e resumos podem dizer-se:
▪ Analepse- Recuo no tempo, evocação de factos (flashback, na terminologia cinematográfica)
▪ Prolepse- Avanço no tempo.
▪ Elipse- Omissão de períodos mais ou menos longos da história.
▪ Resumo ou sumário- Síntese dos acontecimentos que decorreram durante um certo período.

3.3 Psicológico- Resultante da vivência das personagens e do modo como elas sentem o pulsar e o desenrolar do tempo, em função do seu próprio estado de espírito.


4. Personagens

4.1 Caracterização

4.1.1 Directa-
- Através dos elementos fornecidos pelo narrador.
- Através das palavras da personagem e das outras personagens.
- Com a descrição dos aspectos físicos e psicológicos.
- As personagens revelam os seus problemas, as suas intenções ou as suas ideias através de monólogos, de cartas, de canções, de sonhos...

4.1.2 Indirecta
A partir das atitudes, dos gestos, dos comportamentos e sentimentos da personagem ou a partir dos símbolos que a acompanham, o leitor forma as suas próprias opiniões acerca das características físicas ou psíquicas da personagem.

4.2 Composição e formulação

4.2.1. Planas- Personagens estáticas, sem vida interior, sem densidade psicológica, dado que não alteram o seu comportamento, nem evoluem psicologicamente; definidas de forma linear por um ou vários traços que as acompanham ao longo da obra.

4.2.2 Modeladas- Personagens dinâmicas e com densidade psicológica, cheias de vida interior, capazes de surpreenderem o leitor pelas suas atitudes e comportamentos.

4.3 Papel que desempenham na economia da narrativa

4.3.1 Principais ou protagonistas
À volta das quais decorre a acção.

4.3.2 Secundárias
Que participam na acção sem um papel decisivo.

4.3.3 Figurantes
As que servem apenas para funções decorativas dos ambientes.

5. Narrador

5.1 Presença

5.1.1 Narrador Participante

5.1.1.1 Autodiegético- A narração é de primeira pessoa, nomeadamente de carácter autobiográfico, e o narrador assume o papel de personagem principal ou protagonista.

5.1.1.2 Homodiegético- A narração é de primeira pessoa, mas o narrador assume-se apenas como personagem secundária dos acontecimentos.

5.1.2. Narrador não participante

5.1.2.1 Heterodiegético- A narração é feita em terceira pessoa, dado que o narrador não participa nos acontecimentos nem interfere na história.

5.2 Ciência ( ponto de vista, focalização)

5.2.1 Omnisciente
O narrador conduz a narrativa criando uma unidade lógica; ao mesmo tempo, penetra no íntimo das personagens, dando a conhecer o que lhes vai na alma; conhece tudo o que diz respeito às personagens e aos acontecimentos; analisa as acções, os comportamentos, os sentimentos e os pensamentos dos heróis.

5.2.2. Focalização interna
O narrador contempla as personagens que criou e traça a sua análise do exterior para o interior ( é a expressão facial da personagem que dá a conhecer o seu estado de espírito; é o silêncio da personagem que revela os seus sentimentos; é a mímica ao serviço da expressão de estados de alma).

5.2.3. Focalização externa- As personagens são-nos apresentadas através dos diálogos, das atitudes, dos gestos, das acções. O narrador observa, com objectividade, o mundo físico em que se movem as personagens, observa-as, ouve-as, descreve as suas acções, mas não “entra” nos pensamentos e sentimentos das personagens, não podendo, por isso, dar a conhecer ao leitor, por antecipação, o que vai acontecer.

Vasco Moreira e Hilário Pimenta, Em Português, Porto Editora, 1996

3 comentários:

Daniel disse...

Muito bem «stora», assim quando precisar se estudar e tiver alguma duvida posso vie a este site e tirar as minhas dúvidas.

Daniel Magueta

Ana Rita disse...

esta muito fixe o blog!!!!!!!!!


se não fosse este site nao me safava no teste!!!!!

Maria da Conceiçõo Costa Quaresma Leitão disse...

Olá, colega
Também sou professora de Português. Para preencher o vazio que sentia no campo da formação, decidi fazer doutoramento. Presentemente sou aluna do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Estou a começar uma investigação que se apoia na tese de que o desenvolvimento da identidade profissional dos professores de Português se tem apoiado no uso das tic. Neste momento, trabalho um capítulo da tese que tem por temática o uso pedagógico dos blogues. O trabalho que alguns professores têm desenvolvido foi a minha inspiração para a investigação.
O pedido de ajuda vai no sentido de pedir autorização para poder estudar o seu blogue.
Numa segunda fase, pergunto se seria possível conceder uma entrevista.
Se entender conhecer o projeto de tese na sua totalidade, posso enviá-lo, uma vez que já está aprovado.
Muito obrigada
Maria da Conceição Leitão
Escola Secundária de Alves Redol